Cleucizinha Oliveira é das maiores amigas de minhas filhas, por isso a conheço desde menina. De uma curiosidade infinita e uma cultura peculiar, amparada num olhar viciado no excêntrico, cresceu me surpreendendo com suas histórias sobre “o fantástico show da vida”.

Escritora, com mestrado em História da Arte, pela University College London, ela está terminando seu primeiro romance e visitará, de vez enquando, nosso BLOG pra contar o que andou descobrindo de diferente, por aí! Como faz hoje, revelando (pelo menos para mim) a ilha de Tristão da Cunha: curtam! BN

“SONHOS NÁUFRAGOS:

O MUNDO INCRÍVEL DE TRISTÃO DA CUNHA”

Tristão da Cunha, a ilha principal do arquipélago homônimo!

“Nesses dias de hoje, em que as passagens de aviao estão mais em conta do que nunca e é possivel visitar um lugar estrangeiro com uma simples busca no Google Maps, parece até que não existem mais lugares para se descobrir.

Eu pensava assim até ouvir falar de um grupo de ilhas chamada Tristão da Cunha. Esta maravilha geográfica fica no meio do oceano Atlântico, entre o Brasil e a África do Sul, e foi formada por imensas erupções vulcânicas, ao longo da história terrestre. Como se não bastasse, abriga a civilizacão mais remota do planeta: menos de trezentas pessoas moram em um pequeno vilarejo, na base do vulcão (e ilha) principal, há 2173 kilometros do pedaço de terra mais próximo. Uma realidade digna de um seriado como Lost!

Imaginem avistar uma maravilha destas, em pleno alto mar!

A ilha de Tristão da Cunha, vista de cima!

O arquipélago tem de tudo: sol, praias de areia negra, erupções vulcânicas, lagoas formadas por crateras, cachoeiras com mais de duzentos metros de altura, grutas, animais raríssimos e neve no pico do vulcão principal, que chega a ser o ponto mais alto do oceano Atlântico.

A lagoa, em forma de coração, em dois momentos: verão e inverno! É no ponto mais alto de Tristão da Cunha, é na verdade uma cratera formada por erupções vulcânicas, e é destino requisitado por alpinistas (foto de cima). Durante o inverno, fica coberta de neve (foto de baixo)!

Base do vulcão (foto de Peter Balwin)!

Vista para as outras ilhas (foto de Peter Balwin)!

A enorme cachoeira (de 230 metros) em "Inaccessible Island"!

Formações rochosas!

Seleção de animais que habitam o arquipélago... Sua localização remota faz com que seja um dos ecosistemas mais intactos do mundo!

É quase uma versão intacta do Havaí, em um mundo paralelo, que não foi danificado por comercialismo e turismo excessivo. Tristão da Cunha não tem hotel e é um dos raros lugares no mundo onde não existe, sequer, um outdoor de propaganda. A primeira televisão foi instalada somente em 2001!

Mas isso não quer dizer que os habitantes da ilha não acolham os visitantes, de braços abertos. A hospitalidade dos tristãos é famosa, até porque não é todo dia (ou todo ano!) que eles chegam a conhecer pessoas novas. Aventureiros de primeira podem ficar hospedados em casa de família, alugar um charmosíssimo bangalô (são só seis disponíveis) ou até ficar em uma cabana na praia.

O único problema é a dificuldade de acesso. Não tem aeroporto e os vários portos que foram construídos, ao longo dos anos, foram destruídos por lava, furacões ou ondas violentas. Para chegar lá, nas raras épocas em que o mar está suficientemente calmo, é preciso pegar carona com o SA Agulhas, um barco de pesquisa científica, que fica baseado na Africa do Sul. A viagem até Tristão da Cunha dura seis dias.

O minúsculo vilarejo, no lugar mais remoto do mundo!

O arquipélago foi descoberto por um de nossos queridos antepassados portugueses, em 1506, chamado, claro, Tristão da Cunha. Mas foram os ingleses que usufruiram da localização estratégica e lá construíram uma base naval, pois precisavam ficar de olho em Napoleão, preso na ilha vizinha (mas distante), de Santa Helena.

Apesar da marinha britânica ter abandonado o arquipélago, alguns anos depois, um grupo de navegadores ficou para trás e embarcou em um projeto ambicioso: construir uma comunidade onde todos os moradores dividissem, igualmente, a terra, as propriedades, a mão de obra, a comida e o lúcro de exportação, sem que ninguém tivesse uma posição superior a dos outros. Ou seja, estes idealistas sonhavam em criar uma verdadeira utopia comunista, três décadas antes de Karl Marx popularizar o comunismo, na Europa!

Este sistema, batizado de “A Firma”, é implementado com sucesso, até hoje. A importância da vida comunitária, entre os tristãos, se destaca até no vocabulário deles. O termo “todas as mãos”, por exemplo, é usado há quase duzentos anos, para designar a comunidade inteira. Não só indica que todos tem uma participação no cotidiano, no governo e na economia da ilha, mas tambem fala sobre as raízes da população tristã: “todas as mãos” é um termo náutico, para referir-se à toda a tripulação de um barco.

Muitos dos habitantes são descendentes de navegadores do século dezenove, vindos de todos os cantos do mundo, que aterrissaram no arquipélago em busca do estilo de vida oferecido pela comunidade. Mas a maior parte dos primeiros moradores de Tristão da Cunha, incrivelmente, foram parar lá como sobreviventes de naufrágios, devido à  localização central da ilha, em o que foi, por muitos séculos, apelidado de “rodovia marítima”. Imaginem as histórias que as familias de hoje devem ter para contar sobre seus antepassados!

Os charmosíssimos abrigos tristãos: muitos foram construídos com materiais bastante peculiares, como lava petrificada e madeira retirada de barcos náufragos. O sino que toca na única igreja foi tambêm retirado de um navio que colidiu com o arquipélago.

Mas uma tragédia, em 1961, quase terminou com o pequeno paraíso construído pelos tristãos: pela primeira vez, desde que foi povoada, o vulcão da ilha principal entrou em erupção. Foram dias de terremotos e deslocamentos de terra, além de lavas expelidas para todos os lados, que por pouco não soterrou o vilarejo. Desesperados, os tristãos entraram em seus barcos de pesca e, com muita sorte, conseguiram remar até a vizinha  “Inacessible Island”. De lá, e com o mundo todo acompanhando a situação deles no noticiário, um resgate de emergência os transferiu para a África do Sul e, depois, para a Inglaterra.

A erupção de 1961 (acima) e a volta dos tristãos, dois anos depois!

O governo britânico fez de tudo para os deixar se sentindo em casa quando chegaram na Inglaterra, oferecendo empregos, tratamento médico gratuito e bolsas escolares para os mais novos. Afinal, não esperavam que os tristãos fossem poder, ou até mesmo querer, voltar para o arquipélago, no futuro.

Mas esta população de sobreviventes pensava de outra forma. Queriam voltar para a sua vida na ilha isolada, a qualquer custo, e até protestaram para que governo os deixasse retornar, quando fosse seguro. Foi então que, dois anos depois, todos realizaram o sonho de poder voltar para casa, e para uma vida que só eles sabem como é.

Os ingleses ficaram sem entender nada. Por que os tristãos não quiseram aceitar tudo que a Inglaterra tinha para oferecer, nos anos sessenta? Para que voltar para um lugar que há dois anos estava abandonado, e possivelmente coberto por lava? É impossível deixar de admirar a coragem e determinação dos tristãos. Quem já não pensou em como seria morar em uma ilha deserta, talvez só com a familia ou amigos, longe de todos os problemas do mundo moderno, vivendo a base de caça, pesca e plantação? Os tristãos sabem como é, e não trocam esse estilo de vida por nada!

Como é de se esperar, velejar é um dos passatempos prediletos dos tristãos!

Para quem está interessado em lugares assim, mas não tem como chegar lá, vale o livro da escritora alemã, Judith Schalansky, chamado “Atlas of Remote Islands: Fifty Islands I Have Not Visited and Never Will” (“Atlas de Ilhas Remotas: Cinqüenta Ilhas Que Nunca Poderei Visitar”). Além de Tristão da Cunha, o livro inclui lugares extraordinários como a ilha de Peter I, tão remota e dificil de visitar que, até os anos noventa, menos pessoas tinham pisado lá do que na lua!

Este livro ganhou o prêmio de mais bonito da Alemanha, com todo mérito. Ele vem com illustrações maravilhosas, de cada ilha, e conta as histórias que fazem desses lugares, mundos inimagináveis. Vale a pena dar uma olhada!” CLEUCI OLIVEIRA. http://www.amazon.com/Atlas-Remote-Islands-Judith-Schalansky/dp/014311820X

Mapa de "Remote Islands": do livro "Fifty Islands I Have Not Visited and Never Will", de Judith Schalansky

Mapa desenhado por um explorador nos anos 30!

Sígla de ônibus idêntica às de Londres (mas muito menos freqüentadas, claro!): afinal, a ilha é território britânico!

A lagosta de Tristão, exportada para todo o mundo, à partir de meados do seculo vinte. A comunidade lucrou muito com este empreendimento, até a erupção de 1961 soterrar a fábrica de lagosta, com lava. Imagem de Roland Svensson! Cleuci Oliveira!

 

CRISTIANA RENAULT, minha irmã maravilhosa, pra mim é perfeita em tudo! É também uma artista com mãos de fada pois pinta os copos e pratos mais lindos do mundo na EYER! Talento e generosidade pra dar e vender… Única!

Sempre discreta, olhem o Look dela num almoço:

Blusa Armani, jeans Seven, sandália Schutz e colar (bijouteria), deslumbrante da Rosana Bernardes!

 

E aqui em outro almoço:

Jeans, t-shirt e casaco de couro Elie Tahari

Posts anteriores sobre seu trabalho:

Clique aqui!

E pra não perder a viagem, vemos aqui também o LOOK DO DIA de sua filha, minha sobrinha adorada!

Um sopro de beleza e juventude aqui no nosso 40 FOREVER com os dois looks de verão de JULIANA RENAULT!!

T-Shirt MIXED, saia Guess Jeans, sandália Valentino: LINDA!!!!

 

Saia Le Lis Blanc, t-shirt Daslu e sandália Schutz

 

AC

O Moulin Rouge é um espetáculo único no mundo. É considerado um monumento francês como a torre Eiffel, inclusive nasceram no mesmo ano de 1889.

Localizado em Montmartre,  que na época era uma cidadezinha ligada a Paris e hoje em dia é o bairro da bohemia e dos pintores, adoro passear por estes lados . Os restaurantes são deliciosos e charmosos com aquela pitada de romantismo.

Mesmo depois de 120 anos, a magia nunca deixou de existir nos dois espetáculos diários. Quando as bailarinas entram em cena dançando aquele “French Cancan” com suas saias “bleus ,blancs ,rouge ” (cores da bandeira da França) são aplaudidas e ovacionadas pelos 850 espectadores.

As bailarinas são escolhidas nos quatro cantos do mundo que sejam dançarinas de jazz, de ballet classico ou de cabaret o que importa é ser boa e dançar bem! São 14 nacionalidades diferentes, sendo 60 dançarinas (idade media 23 anos ) e 20 dançarinos, 80 pessoas nos bastidores, 30 pessoas para vestir as dançarinas e 10 costureiras. este espetáculo “Feérie” está em cena desde 1999 e custou 8 milhões de Euros para produzir.

Não posso esquecer de contar que tem um jantar maravilhoso feito pelo grande Dalloyau ( farei um post contando tudo sobre este buffet ) com um menu super especial incluindo os grandes clássicos da culinária francesa.

 

 

 

 

 

 

Moulin Rouge – 82 Boulevard de Clichy- Paris

Tel para reservas: + 33 153098282

O jantar é às 19 horas seguido do espetáculo.

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