A ORQUESTRA DA PAZ!

Eis a Divã, num momento relax, pois tive o privilégio de também vê-los ensaiar: aí você vivencia a harmonia do grupo!

Este post conta uma história linda de amor e paz, já que um não existe sem o outro.

Na minha semana musical, em Salzburg, vi apresentar-se o top da música clássica atual. Mas o espetáculo que mais me emocionou foi, sem a menor dúvida, a performance de uma jovem orquestra que talvez ainda não tenha a mais apurada técnica ou os maiores nomes. Mas isto é o de menos, em se tratando da WEST-EASTERN DIVAN ORCHESTRA.

O passe-partout que me deu direito a entrar no ensaio e nas partes reservadas dos teatros: são como passaportes de “adesão” , ao grupo de patronos, que fazem o Festival acontecer. ” Aderindo”, a sua contribuição ajuda na sua realização!

Saída do coração de um dos mais talentosos maestros em atividade, o maravilhoso “hermano” Daniel Barenboim, a DIVAN nasceu, do acaso, e tornou-se uma bandeira viva de fé e esperança. Tive o privilégio de assistir ao seu ensaio, pela manhã, e atuação à noite: que show vê-los, como num tubo de laboratório, agindo e interagindo, desenvoltura perfeita em torno do comando, quase paternal, de seu regente. Achei-me diante da mais verdadeira harmonia!

Como Atena, que nasceu de uma dor de cabeça de Zeus, a Divã saiu de uma inspiração da cabeça de Daniel Barenboim. Na foto, com o spalla da Filarmônica de Berlim: as estrelas musicais adoram participar das apresentações deste timaço!

Sua trajetória começa quando Weimar, cidade alemã e patrimônio da humanidade, foi escolhida, em 1999,  como capital cultural da Europa e Barenboim tornou-se o curador das atividades musicais. Entre outras providências, criou um curso para jovens instrumentistas que quisessem aprender a atuar em orquestra. Surpreso com a enorme quantidade de árabes inscritos, pediu ajuda ao amigo Edward Said e juntou-os, com a mesma quantidade de aprendizes judeus, para formar um grupo musical impensável, até então. Este encontro, abençoado, proporcionou a convivência de moços e moças cujos destinos talvez jamais se cruzassem, nos intervalos dos ensaios, durante as refeições e na hora do lazer sendo que, o principal, foi fazê-los “encontrar um espaço onde fosse possível produzir HARMONIA“, como tão bem definiu meu guru, Rafael Fonseca.

Outro ângulo do ensaio!

A experiência foi um tal sucesso que a orquestra tornou-se permanente e é uma emoção vê-los atuar: arrumada aos pares, há sempre um judeu sentado ao lado de um árabe, em equilíbrio numérico perfeito e emocional também: impossível não ser tocado pela vibração das notas e astral que eles emanam.

O spalla da Divan, Michael Barenboim, filho do regente, no ensaio matinal: chiquérrimo!

Barenboim instruindo seus comandados!

A última barreira a ser transposta, no caminho deste grupo divino, foi a territorial. Como a geografia original era complicada, a cidade de Sevilha acolheu-os, oferecendo sede e passaporte espanhol para todos. Um final mais do que feliz, pra combinar com a tradição andaluz de incentivar e promover a tolerância religiosa, desde a época do reino de Granada, quando todos coabitaram em seu território, felizes e em paz.

Rafael Fonseca e Claudia Nogarotto no ensaio da Divan!

Volto a Rafael Fonseca, mestre que me introduziu ao culto da Divan e, não contente, ainda levou-me para ouví-la, dissertando sobre a palavra divã:
“Este nome é pleno em significados: primeiro, foi o título de uma coletânea (Divan) de poemas orientais reunidos por Goethe; divan também era como chamavam a “Sala do Conselho”, na época do império turco e, por uso, passaram a serem chamadas, assim, as salas das casas, em algumas regiões árabes. Daí o nome daquele sofá, que depois Freud adotou, em seu consultório. Era Baremboim colocando árabes e judeus no divã”. BN

LOOKS DOS MÚSICOS!

A orquestra Divan deixando o teatro, depois do ensaio!

O GRAN FINALE, QUE RESUME ESTA ÓPERA:

Esta fofa, filha de membros da orquestra, que assistia com conforto ao ensaio, começa a chorar…

A orquestra interrompe o ensaio, numa boa, para que a mãe, esta linda violinista, possa acudir sua baby.

Mãe e filha, depois do ensaio: final feliz!

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14 ideias sobre “A ORQUESTRA DA PAZ!

  1. Quanta sensibilidade… Que leitura gratificante para uma manha ensolarada de domingo…a musica promovendo a paz.. nos mais sutis acordes e gestos.Obrigada !

  2. Bebel,gostoso ler você. Toda a sensibilidade de Barenboim, beleza e harmonia de uma orquestra que se forma árabe/judia e acolhida andaluz, ficam tão presentes na sua maneira de escrever! Parabéns! Fico, também, feliz com a trajetória do seu “guru”. Mãe adora um elogio!

  3. Bebel, que experiência maravilhosa e única!!! Estou lendo este relato depois de assistir ao nosso incrível Nelson Freire (aliás, hoje não te vi no Municipal…). Tudo a ver!

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