Judy Garland inspira musical!

“There is no place like home”, lamenta-se a pequena Dorothy enquanto procura seu caminho de volta para casa, no clássico dos clássicos “O mágico de Oz”. Como um herói grego em rito de purificação, Judy Garland imortalizou a personagem e a si própria e inspirou uma linda peça, com texto do inglês Peter Quilter e adaptação da super hiper dupla dos musicais brasileiros, Claudio Botelho e Charles Möeller.

O enredo de “O Fim do Arco-Iris” conta a história dos últimos anos da cultuada atriz, e que podia ser a vida de tantas outras celebs de Hollywood e adjacências, com seus tropeços no trio de sempre: S…, d… & rock n roll. Por isso o forte do espetáculo é mesmo o maravilhoso repertório de Judy e dois atores fantásticos: O veterano Gracindo Júnior (que saudades eu estava desta família de craques), MA-RA no papel de Anthony o anjo-da-guarda e melhor amigo da protagonista, com uma atuação delicada, sutil e, sobretudo, madura! Arrancou uma ovação da platéia, que o aplaudiu de pé!

E a apresentação, pelo menos para mim, da esplendorosa cantora dublê de atriz Claudia Netto, que foi nos conquistando fala a fala, música a música, trejeito a trejeito à la Mrs Garland: Quando, no final, interpreta a esperadíssima “Over the rainbow”, sentada num palco escuro só um feixe de luz sobre seu rosto, não houve quem não se emocionasse! Mérito também da nossa dupla predileta, que a cada espetáculo nos presenteia com uma descoberta melhor que a outra!

No mais, a peça está no Teatro do Fashion Mall e além do que contei acima traz, de brinde, canções timeless como How Insensitive de Jobim, From This Moment de Cole Porter, Smile de Chaplin, etc, etc, etc, que vão fazer você sair do teatro em estado de graça! BN

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Malkovich encarou a platéia do Municipal lotado, sozinho!

Antes de mais nada, quero esclarecer que John Malkovich é um dos meus ídolos!

Dito isto, o que foi “The Infernal Comedy” no Municipal? O programa prometia um monólogo narrando as memórias de um serial killer. Ilustrando a narrativa, uma orquestra e duas sopranos completariam, com trechos clássicos famosos, uma idéia mara: Teatro e música, da melhor qualidade! Só que acabou sendo um fiasco, porque nada rolou: Não era ópera, nem concerto e muito menos o texto da peça estava à altura do seu protagonista, parecia “imbromation”!

Com a honrosa exceção de Mr Malkovich: Cheio de charme, muita segurança, aquele seu ar “blasé” que arrebata, pelo menos valeu vê-lo, ao vivo e a cores! BN

O belo Antonio: que Deus o tenha num lugar divino!

Minha assinatura de ballet anual, do Teatro Municipal, encerrava com “Carmen”, estrelado pela Compañia Antonio Gades, do meu bailarino preferido, junto com Nureyev (não tenho idade pra Nijinsky), e pela primeira vez eu ia vê-la, depois que Antonio partiu.

Me dei todas as desculpas plausíveis para fazer”forfait”, pois sou péssima pra lidar com perdas: Fiz corpo mole pra chegar com as portas “cerradas “, relutei no foyer sem entrar no teatro, analisando o corpo de baile atual e perguntando aos amigos passantes se valia o meu domingo, pensei nas duas amigas que amo e que me convidaram pra almoçar, até que ouvi a campainha soar para o início do espetáculo e obedeci, como um zumbi!

É que a Andaluzia ruge forte na minha existência e o seu chamado é uma ordem: Vai que fui uma cigana sevilhana em alguma encarnação pois, simplesmente, adoro aquele lugar. Parado no tempo, meio sonho meio realidade, o sul espanhol capturou a passagem do maravilhoso povo árabe por lá e a perpetuou com a competência que eles não tiveram em seus pr’prios países. E quanto há pra ver e por ver: já me perdi por lá, algumas vezes, e sempre voltei com uma nova descoberta! Noves fora a Catedral de Córdoba, o deslumbrante Alhambra, os “Reales Alcázares”sevilhanos, só pra citar três ícones entre muitas preciosidades.

Mas voltando à dança de tablado, pra quem nunca foi pr’aquelas bandas, ela é o samba local, guardando as proporções: Nascida nas tradições populares das culturas cigana, moura e judaica, que conviveram na região andaluz na época do domínio árabe, ela se caracteriza por reunir lindas canções executadas, com maestria, por cantores de vozes guturais, mais o som arrebatador de guitarras, e os dois somados oferecem ritmo à dança sapateada, acompanhada de batida de palmas: Tudo isto somado é a dança flamenca e resulta num efeito único e de tirar o fôlego!

Antônio Gades e sua Companhia ajudaram a difundir esta dança típica espanhola, mundo afora, e algumas vezes vieram ao Brasil. A primeira vez que os vi, no Teatro Nacional de BSB, apresentando a coreografia Andaluzia foi, simplesmente, inesquecível! Ontem, não senti o mesmo impacto, o de estar diante de uma obra prima. Mas também a coreografia Carmen não está distante de qualquer espetáculo de qualidade, que vemos quando visitamos a Espanha. Deu muito bem pra matar as saudades flamencas, só Antonio Gades é insubstituível! BN

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Começa a vender hoje, para assinantes, e amanhã para o público, entradas para a peça “The Infernal Comedy, Confissões De Um Serial Killer”, no dia 2 de Novembro, Teatro Municipal RJ, 20:30 horas, estrelada pelo monstro sagrado John Malkovich ( oi, Ligações Perigosas, etc,etc), e sucesso retumbante “all over the world “!

O espetáculo é um musical que mistura áreas de óperas e trechos de música de Mozart, Haydn, Vivaldi e Beethoven, como trilha sonora para o monólogo de um “serial killer” austríaco, vivido por Malkokovich, que morto vai narrando suas lembranças de vida, incluindo seu suicídio no presídio e os assassinatos de 12 prostitutas , interpretadas por 2 sopranos que se revezam nos papéis das vítimas!

Calma, nem tudo é chumbo grosso, nesta trama macabra: Ao passear pela mente doentia do narrador, a platéia é contemplada com um texto inteligente, ágil e com pitadas de humor…. ok, negro, mas humor!
A produção e direção são de Michael Sturminger e conta ainda com a Orquestra Barroca Música Angélica, ao vivo e a cores. Tudo em inglês e com legendas!

Corra atrás do seu ingresso que eu já corri atrás do meu: Imperdível!
Ingressos à venda na DELL’ARTE: (21) 4002 0019
BN


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