O SECRETARIO GERAL DAS NACÕES UNIDAS BAN KI-MOON VISITA O CONGO COM O EMBAIXADOR DO BRASIL PAULO UCHOA

 

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O Secretário-Geral Ban Ki-moon entre o Embaixador do Brasil Paulo Uchoa e o Representante do Unicef na RDC Pascal Villeneuve

 

Em recente passagem pelo Congo, o Secretário-Geral das Nações Unidas Ban Ki-moon assistiu a uma apresentação de crianças que participam do programa Capoeira pela Paz, uma inciativa do Governo brasileiro, desenvolvida em pareceria com o Unicef, associação monegasca AMADE-Mondiale e o Governo do Canadá.

 

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Paulo Uchoa, Pascal Villeuneve, Ban Ki-moon e Julian Paluku, Governador da província do Kivu do Norte assistem ao jogo de capoeira

 

Convidei meu muito querido amigo, Paulo Uchoa, Embaixador do Brasil na República Democrática do Congo, para uma entrevista na qual ele nos explica como a prática da capoeira tem ajudado a fazer do Congo um lugar melhor para crianças e adolescentes.

MP: Embaixador, o que trouxe o Secretário-Geral das Nações Unidas à República Democrática do Congo?

PU: Essa foi a quinta visita de Ban Ki-moon ao país. Em Kinshasa, a capital, ele manteve encontros políticos e participou da cerimônia de lançamento da primeira edição da Conferência sobre Investimento Privado na Região dos Grandes Lagos. Em Goma, capital da província do Kivu do Norte, o SG cumpriu agenda ligada a temas humanitários.

MP: Em que consistiu a agenda humanitária em Goma?

PU: Ban Ki-moon visitou o campo de deslocados internos de Mungote, assistiu a uma apresentação de capoeira por crianças desmobilizadas de conflitos armados e amparadas pelo Programa Capoeira pela Paz, e manteve encontro com o Dr. Denis Mukwege, fundador e diretor do Hospital Panzi, médico-ginecologista responsável por um dos mais importantes programas de tratamento para mulheres vítimas de violência sexual como arma de guerra.

MP: Que critérios foram usados para a escolha das atividades de sua agenda?

PU: Ainda na fase de preparação, o Secretário-Geral havia manifestado interesse em poder conhecer, durante sua passagem pelo Kivu do Norte, inciativas inovadoras e com real contribuição para o fortalecimento da segurança humana em áreas afetadas por conflitos. A inclusão de uma apresentação do Capoeira pela Paz deu-se em razão da abordagem inovadora dada ao tema da ressocialização de ex-crianças-soldados, classificado por Ban Ki-moon como relevante, e dos resultados encorajadores que o programa vem apresentando.

 

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Ex crianças soldados e agora capoeiristas em ação.

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MP: De que forma esses resultados vêm sendo percebidos?

PU: Há muitas maneiras de se responder a essa pergunta. Retenho uma experiência que presenciei. Em agosto de 2015, o Chanceler Mauro Vieira veio à RDC, ocasião em que visitou, em Goma, o Centro de Trânsito do UNICEF que acolhe as crianças desmobilizadas e que estão em fase de ressocialização. Os gestores do programa e os assistentes sociais que acompanham o programa fizeram relato ao Embaixador Vieira de como o comportamento das crianças havia apresentado melhoras desde a introdução da prática do esporte. Outro aspecto importante foi o relato, ao Ministro, feito pelas próprias ex-crianças-soldados sobre sua experiência com a capoeira e o ímpeto que sua prática lhes desperta em poder retomar uma vida livre de violência.

MP: Que interessante. É isso que faz então do programa Capoeira pela Paz uma iniciativa inovadora e de sucesso no tratamento do tema?

PU: Com certeza. Uma pesquisa feita com os educadores do Centro de Trânsito revelou que, depois que certo grupo de crianças passou a praticar a capoeira, o rendimento escolar melhorou, o convívio com outras crianças passou a ser menos conflituoso e as crianças passaram a apresentar um comportamento mais estável. Tudo isso melhora as condições que precedem a reinserção da criança em seu núcleo familiar e na comunidade de onde ela vem e aumentam as chances de que essa reinserção tenha êxito, evitando que a própria criança volte a integrar voluntariamente o grupo armado.

 

MP: Como foi a apresentação ao Secretário-Geral?

PU: A apresentação contou com a participação de 24 crianças, entre 6 e 17 anos, algumas delas recentemente desmobilizadas. Um dos participantes convidou o Secretário-Geral a repetir alguns movimentos de um jogo de capoeira e a encenar um combate. Ban Ki-moon aceitou o desafio e mostrou-se satisfeito com o seu desempenho. Ao final, o capoeirista e ex-criança-soldado Baraka, de 16 anos, leu mensagem ao Secretário-Geral, pedindo sua ajuda para por fim aos longos conflitos que assolam a região.

 

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O capoeirista Ban Ki-moon.

 

MP: Que sucesso!

PU: Foi um grande sucesso. Antes de partir, Ban Ki-moon fez questão de cumprimentar individualmente todas as crianças e o Voluntário das Nações Unidas, que já viveu como criança de rua por vários anos em Kinshasa, que se tornou capoeirista e hoje é o responsável pelas aulas de capoeira aos ex-crianças-soldados.

 

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Ban Ki -moon cumprimentando os capoeiristas.

 

MP: Em termos práticos, o que apresentação de capoeira ao Secretário-Geral da ONU representou para o programa?

PU: O interesse do Secretário-Geral da ONU pela iniciativa amplifica a relevância do programa Capoeira pela Paz, que, como o muito importante trabalho do Dr. Denis Mukwega, foi singularizado como contribuição positiva na complexa tarefa das sociedades RD congolesa e internacional de estabilizar a região leste da RDC, consolidando a paz e promovendo o bem estar de sua população.

 

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MP

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