UM CADERNO DE RECEITAS MUITO ESPECIAL!

 

Presente mágico em forma de fichário... As lembranças de vida de minha mãe (um pouco das minhas também), que se disfarçam em forma de receitas que encheram meu coração: varei a noite em sua cia!

As lembranças de vida de minha mãe, disfarçadas em receitas, que com certeza encherá os corações dos que fizeram parte deste mundo contido num fichário: I Love Proust!

 

Nos meus “20 Forever”, fui morar em Brasília, terra desconhecida até então, nenhuma amiga, nada de parentes, “se virar” era a senha. Distante a hora e meia de avião, mesmo país, língua, costumes, cultura, não entendi até hoje o porquê de tanto alarde: foi, literalmente, um acontecimento a minha ida, sabem como é família mineira pra desgarrar… Me senti partindo pra sempre, dramalhão mexicano, parentes despedindo como se fosse a “derradeira vez”. O lado bom foi que ganhei presentes incríveis, numa procissão inesquecível de afeto: um a um, cada um levou-me seu melhor quinhão.

Eram acessórios para casa, livros preciosos para me fazerem aquela companhia, santos protetores e por aí vai. Mas nada foi mais carinhoso, sui generis e até providencial que uma coletânea de cadernos , sobre assuntos domésticos, escritos à mão por minha hilária mãe, contendo os “segredinhos das Gonçalves” e dividido em 3 volumes.

 

O primeiro volume continha conselhos sábios para organizar uma casa. Tipo esta nota de "roda-teto" me explicando como comprar dobradinha... Sensa!!!!!!

O primeiro volume continha conselhos sábios para organizar a casa, tipo esta nota de “roda-teto” me explicando como escolher dobradinha… Pode??!! Sensaaaa!!!!!!

 

No primeiro, ela passeava pelo assunto “casa” e sua organização, tecendo os comentários mais pertinentes, dando conselhos que iam dos variados modos de arrumar uma mesa, organizar cardápios, orientar funcionários e por aí vai… Mas a minúcia dos detalhes era tanta que acabou virando leitura obrigatória por ser cômica, para divertir familiares quando vinham me visitar. Infelizmente, o vento levou-o numa de minhas muitas mudanças.

 

Página 1 do caderno de receitas de minha mãe, para mim um embarque no túnel do tempo...

Eis a página 1 do caderno de receitas de minha mãe, porta de entrada para o túnel do tempo…

 

Vejam que delícia de instrução: calor do forno!

Vejam que delícia de “nomenklatura” para esquentar o forno nosso de todo dia… Vem junto o aconchego de uma vida!

 

O segundo volume, que é tema deste post, estava esquecido mas a salvo: o livro das receitas que Sonia Gonçalves Bittencourt reuniu ao longo da vida, selecionando-as entre as de sua mãe, irmãs e irmãos, primas, amigas, parente da conhecida, cunhada da desconhecida, todas D.O.C (De Origem Caseira), até juntar mais de 500 páginas manuscritas.

 

Mais de 500 páginas de sonhos... Suflê, pudins, empadinhas e por aí vai!

Mais de 500 páginas de sonhos… Suflê, pudins, empadinhas e por aí vai! E o que é esta anotação fundamental: curso de Hero?! (Sua queridíssima irmã e minha adorada madrinha)

 

Todo mundo participa: a cunhada da prima...

Como contei, todo mundo participa: a cunhada da prima amada…

 

Minha divina avó, ícone na cozinha e na vida!

Minha divina avó, ícone na cozinha e na vida!

 

Receita de Ovídio, chef divino da casa da minha maravilhosa tia Elisinha e sua irmã preciosa!!!

Receita de Ovídio, grande chef da casa da sua mais que amada irmã, Elisinha!

 

Bosco... É meu tio amado que gostava de ser chamado de João, segundo pai de todos a família: São José da vida real!

Bosco… É meu tio queridíssimo, que gostava de ser chamado de João e não de Bosco: era o segundo pai de todos a família, espécie de São José da vida real!

 

Assim, contém os mais variados pratos, das mais diversas procedências, TODOS testados por ela previamente, formando um exemplar, bem completo, do “receituário gastronômico” da cozinha trivial brasileira do século XX. Posso dizer que é quase uma crônica dos hábitos alimentares da gerações pré Adria, quando conceitos como “espuma”, “leito” ou “crosta” eram normalmente assossiados a “sabão”, “local de dormir” e “superfície terrestre”, na sequência. No entanto e apesar da pouca técnica, as receitas são deliciosas pois têm um temperinho caseiro que até eu havia esquecido. Assim, para não desmerecer o presente e sua louvável tecnologia, exaltemos a singeleza do passado descrito neste caderno, dando lhe o título vintage, com louvor!

 

Suas receitas vão desta misteriosa "Vagem bem feitinha...."

Suas receitas vão desta misteriosa “Vagem bem feitinha”???!!!…

 

... Omelete suflê, que provavelmente frequentou o "Jardim das Delícias"...

… Passando por este divino omelete suflê, que provavelmente frequentou o “Jardim das Delícias”…

 

E receitas que tornaram-se uma "metonímia gastrô" da família, como este suflê da querida amiga Glorinha Sued, base para todossssss

… Desembocando em receitas que tornaram-se uma “metonímia gastrô” da família, como este suflê da querida amiga Glorinha Sued, base para todossssss os outros que saíram de nossos fornos!

 

O terceiro volume era cria do segundo e a ele estava atrelado, até seu último suspiro: também perdeu-se, uma pena. Pois reunia mais de 500 “menus” baseados nas receitas do caderno, combinando-as segundo a ocasião proposta por ela no título. Assim, sugeria: “Almoço para muitos”, “Jantar de cerimônia para poucos”, “Coctail souper”, “Brunch no jardim” e lá vinha sugestão de salgadinho seguido de entrada, segundo prato, sobremesa, na quantidade que o prenúncio exigia, misturando pratos com muita sapiência e bom gosto, enumerando a página onde encontrar, no livro… Era abrir e colar, simples assim.

 

Mas tem também receitas que o vento levou mas que vou tentar o reviver...

Algumas receitas como esta, que o vento e a praticidade levaram, estão em desuso, mas vou tentar o reviver…

 

Receitas de Santa Luzia, terra de minha mãe, são um must!

As receitas de Santa Luzia, terra de minha mãe, são um must!

 

Enfim, muitas lembranças, que espero não tenham cansado os que chegaram até aqui. Mas, depois de varar a noite me reencontrando com o guia e salvador da minha pátria, nas minhas épocas no cerrado, resolvi começar a fazer as receitas do caderno de minha mãe, junto com minha querida Irene “bien sûre, e quando aprovadas pelo povo aqui de casa, pensei em reproduzí-las para vocês, caso se interessem… O que acham? E, talvez num futuro, tentar misturar, sem o mesmo talento, alhos e bugalhos pra ajudar nos cardápios do nosso dia a dia. BN

 

Fecho com duas gratas lembranças, das receitas e, principalmente, suas ": Zilda Novis, minha  "tia" tão querida...

Fecho com duas gratas lembranças das receitas e, principalmente, suas “: Zilda Novis, minha “tia” tão querida…

 

Tia Dadá, uma pérola de nossa família, brilhou em seus saraus memoráveis em Copacabana e hoje vive reclusa em São Lourenço, cuidando de seus gatos que a fazem igualmente feliz!

Tia Dadá, uma pérola de nossa família, brilhou em seus saraus memoráveis em Copacabana e hoje vive reclusa em São Lourenço, cuidando de seus gatos que a fazem igualmente feliz: que São Francisco a abençoe!

 

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53 ideias sobre “UM CADERNO DE RECEITAS MUITO ESPECIAL!

  1. Adorei a ideia de refazer as receitas desses cadernos preciosos que sua mae lhe deu. Tambem tenho, alguns escritos, bem mais antigos, que guardo como preciosidades. Sigo voces ha muito tempo e adoro suas viagens, suas mesas, suas receitas. Obrigada, Raquel

  2. Adorei!
    Senti nostalgia ao ler essa matéria. Um presente. Vou tentar fazer as receitas. Sua mãe escreveu com muito carinho e com muitos detalhes.
    Deu vontade de folhea-los.
    Beijo,
    Kátia Braz!

  3. Bom dia!!!!!que coisa mais linda, que lembrança boa e querida, recordação de familia.Que bom seria se as pessoas resgatassem as tradições, o mundo seria muito mais feliz e alegre.Também guardo alguma coisa.Acompanho suas publicações, sempre nos ensinando e alegrando com tudo.Beijos

  4. Bebel querida, também tenho caderninhos como os seus,herança da minha avó e mãe!!É uma delícia!! Muitos dos meus bolos sairam deles!! Bjsss

  5. Adorei! ss receitas de família são muito preciosas.
    No Dia das Mães compartilhei o da minha mãe Elza.
    Lá pelas tantas , minha tia Stella Libanio publicou as receitas da nossa família e de outras famílias mineiras . O Fogão de Lenha foi um sucesso enorme! Estarei ansiosa , esperando as receitas da sua família. Bjs enormes

  6. Muito linda a recordação do livro de receitas!adorei!
    Só fiquei triste de ñ dar para lê-las na íntegra. Vc ñ pode publicá-las ?
    Bjs,Marilena

  7. Que delícia de post!! Incrível!! Voltei no tempo, quero ler demorada e minuciosamente cada palavra!! Tá explicadíssima sua “verve” minha querida Bebel!! Carregadíssimo de carinho, atenção, amor. Doce como só uma mãe pode ser. Amei!! Semana linda pras nós 40forever!! bjbjbj

  8. Musa B.N,li e reli apaixonada as reçeitas inegualáveis de sua Mãe ! Ela é uma grande Lady ! Et Hostess marvilhosa e detalista ! Lembra quando Ela ensinava , como subir a escada aos funcionários da casa Dela ,com elegancia ? É inesquecîvel !!!!!!!!! Sw

  9. Bebel amada adorei esse post! Também tenho livros de receita da minha Mãe com essa característica de nomear as receitas com os nomes das pessoas que ensinavam a ela como fazer! Pensa em publicar querida, é um tesouro que poucas pessoas tem e bem menos ainda valorizam! Bjkas com açúcar e com afeto.Helena.

  10. Que preciosidade!! Carinho, cuidado, ensinamentos, receitas divinas e ainda a caligrafia, atualmente tao em desuso. Parabéns e fico aguardando os proximos posts com as receitas testadas.
    Bj

  11. Bebel, amei esse livro de recita! Que lindo. Um preciosidade. Quero todas! Por que vc não edita esse original e lança pra gente comprar!

  12. Adorei a ideia de você fazer as receitas e depois contar as que deram certo.
    Acredito que receitas podem e devem ser compartilhadas, pois cozinhar para os outros é um gesto de amor, de carinho. Adoro compartilhar minhas receitas!
    Boa sorte nesse projeto!

  13. Bebs amada,
    Fiquei emocionada com tanto carinho e delicadeza. Sua mãe é uma grande dama, e deixa este lindo legado P vc. Compartilha conosco, pleaseeee
    Bjssssss

  14. Oi Bebel! Minha avó e minha mãe deixaram livros exatamente iguais! Até a letrinha é super parecida…
    Minha mãe ainda viva, tem 94 anos, e minha avó já se foi aos 105! Já não se fazem senhorinhas como antigamente. Temos que guardar estas preciosidades para nossos netos! Adorei o post. bj, Gininha

  15. Bebel,
    Essas herancas so preciosas. E a caligrafia, que linda. Uma ideia: Faca um livro com receitas dos livros das avos, maes e tias. Vou ser a primeira na fila para o autografo! Beijo carinhoso XXX

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