UM CHEF E DOIS RESTAURANTES PARTE 1: “THE FAT DUCK”!

 

A logo que faz tremer os estômagos exigentes da face da terra!

A logo que faz tremer os estômagos exigentes da face da terra!

 

Quando saiu a lista da revista inglesa, “Restaurant”, com os 50 melhores restaurantes do mundo em 2013, reparei que meu velho conhecido, The Fat Duck, havia despencado vertiginosamente, saindo do décimo terceiro lugar em 2012, para trigésimo terceiro este ano. Lembrei ainda, das três gloriosas estrelas que detém e que o consagraram, no bombado Guia Michelin, e fiquei intrigada: estas listas…

 

A centenária e charmosa casa que abriga o ícone da culinária inglesa!

A centenária e charmosa casa em Bray, que abriga um dos ícone da culinária inglesa. Curiosidade: UK tem 4 restaurantes laureados com as poderosas 3 estrelas, pelo Guia Michelin, sendo 2 em Bray: O Fat Duck e o The Waterside Inn. O que terá nesta água…

 

Como ia passar uns dias em Londres, resolvi ir tirar minha prova dos 9 e fui à encantadora cidade de Bray, Berkshire, almoçar, sob a batuta de Heston Blumenthal, seu glorioso chef, e antecipo: tudo continua como dantes, no Castelo d’Abrantes.

 

Eu, super bem acompanhada: com a equipe deste templo da boa mesa!

Eu, super bem acompanhada: com membros da equipe deste templo da boa mesa!

 

Faço uma pequena pausa para resumir o craque, Blumenthal. Tudo começou na vida deste “auto didata” do 4 bocas quando, aos 15 anos, numa viagem à França, com os pais, teve seu primeiro contato com o mundo da gastronomia almoçando no “L’Ouest de Baumanière”, na Provence: foi “love at first bite”…

 

Pra quem está morrendo de curiosidade: Eis Heston Blumenthal e a sua "baby face"!

Pra quem está morrendo de curiosidade: Eis Heston Blumenthal e a sua “baby face”!

 

Seguiu em frente até virar um dos principais alquimistas da culinária mundial, resultado de muita mão na massa e ousadia suprema: com pouquíssima experiência abriu seu primeiro restaurante, justamente o The Fat Duck, em 1995, como um bistrô francês e que, rapidamente, evoluiu para a moderna cozinha molecular, de Ferran Adria. Para mantê-lo, quase quebrou, chegando a vender tudo que tinha. Só arribou quando ganhou sua primeira estrela Michelin, em 1999. Daí em diante, foram só alegrias: 2004 recebe a terceira estrela e em 2005 o título de “Melhor Restaurante do Mundo”, dado pela revista inglesa, “Restaurant”.

 

Uma das entradas divinas: gazpacho verde: verduras...

Uma das entradas divinas: gazpacho verde: verduras…

 

Segunda pausa: para meu susto: como só trigésimo terceiro?! … Cheguei à uma modesta conclusão: quem sabe a criativa cozinha molecular, depois de tantas pirotecnias, esteja numa “entre safra”; já ganhou o mundo e está entronizada na alta gastronomia mundial. Mas ainda não é vintage, ou melhor, clássica. E, por isto, o Fat Duck esteja num  momento “last season”… Como a qualidade de sua mesa continua a mesma, é só uma questão de tempo. O importante é que continuamos comendo, como reis, neste charmoso restaurante.

 

Um dos pratos sensação: " Sound of Sea", um popurri de sashimis acompanhados pelo som do mar: so romantic!

Um dos pratos sensação: ” Sound of Sea”, um popurri de sashimis acompanhados pelo som do mar: so romantic!

 

foto

Eu, ouvindo as ondas baterem nas rochas inglesas, que saiam de uma concha, enquanto comia… Sorry pela qualidade da foto e minha feiura. Mas não resisti a mostrar!

 

Instalado numa construção do século XVI, ele acolhe com louvor 13 mesas, 42 funcionários e o mérito de ser um dos grandes representantes da alta gastronomia inglesa. Tem cardápio fixo, em torno de 15 pratos, alta tecnologia, muita imaginação e magia, e bebe na fonte da cozinha “tecno emocional”, como Blumenthal gosta de chamar. Combinação de técnicas culinárias e truques, ele admite: “o perigo é a tecnologia ultrapassar o valor do prato”. Entre tudo de divino que comi por lá, “Sound of The Sea” é sempre a sensação: todos os sentidos alinhados, em ode ao paladar.

 

Sobremesa divina do dia: "The BFG", ou "Black forest Gateau", ou ainda, "Floresta Negra" , nossa velha conhecida!

Sobremesa divina do dia: “The BFG”, ou “Black forest Gateau”, ou ainda, “Floresta Negra” , nossa velha conhecida!

 

momento mega criativo: como aperitivo

Momento mega criativo: como aperitivo, “Whisk (E) Y Wine Gums. Uma espécie de balas licorosas, recheadas com 4 diferentes Whisky. Vinham presos no mapa, para vermos as D.O.C.! Um luxo…

 

Próxima ida à Londres, agende este programaço que é o ” The Fat Duck” e cumpra o conselho de seu estrelado chef: “It should be about having fun”… Vá nessa que é bom à beça! BN

 

"Like a Kid in a Sweet Shop" é o cardápio das gracinhas doces que vem acompanhando o café/ infusão, que foi a minha escolha. Magic kingdom!

“Like a Kid in a Sweet Shop” é o cardápio das gracinhas doces que vem acompanhando o café/ infusão, que foi a minha escolha. Magic kingdom!

 

No primeiro plano, a infusão, e atrás o saco lindo, parecia saído do baleiro e continha tudo que o cardápio contou!

No primeiro plano, a infusão, e atrás o saco lindo, parecia saído do baleiro e continha tudo que o cardápio contou!

 

TERMINO COM A “EXIBIÇÃO” DE UM DOS PRATOS MAIS INCRÍVEIS E SUA HISTORINHA…

O “Fat Duck” também é cultura: por exemplo, este consomé, servido em partes, traz consigo um ritual e conecções históricas e literárias. Chama-se “Mad Hatter’s Tea Party” e mistura uma receita inglesa do século XIX, de “Falsa Sopa de Tartaruga” um must da época, com referências literárias do chá do “Chapeleiro Maluco”, personagem do clássico dos clássicos, “Alice no País das Maravilhas”.
Sua discrição:
Mock Turtle Soup: Mock = objeto programado que simulam o compotamento de outro. Assim, miolos de leitão dublavam a tartaruga, em sopas no século XIX, porque o preço do réptil era proibitivo, então. Como hoje é também proibido o consumo, o “Fat Duck” usou o mesmo artifício em sua receita.
+
Pocket Watch:  Referência à Alice no País das maravilhas e o relógio do coelho apressado que pergunta, no chá da rainha, para Alice e o Chapeleiro: já viram um “mock turtle”? Como Alice não sabe que bicho é este, a rainha se encarrega: é a “coisa”da qual é feita a “Mock Turtle Soup”…
+
– Toast Sandwich: Delícia os mini sanduichinhos, do chá da Alice, com o consomé, di-vi-no… Vejam nas fotos!

 

foto 5-16

O “Relógio” do coelho e alguns temperos esperam…

 

foto 1-18

A “mock Turtle Soup”, ou o delicioso consomé, com mil temperos, o relógio que virou ovo pochê, etc. Ao fundo, pontificam os sanduichinhos…

 

foto 4-14

Pronto para ser consumido!

 

CONTATO:
HIGH STREE, BRAY, BERKSHIRE SL62 AQ
TEL: +44 01628 580333

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4 ideias sobre “UM CHEF E DOIS RESTAURANTES PARTE 1: “THE FAT DUCK”!

  1. Nossa, que show, esse restaurante. Que privilégio, Bebel.
    Adorei conhecer, mesmo que virtualmente.
    40Forever também é Cultura gastronômica!
    Bjs

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