"Carlos Lacerda/ Cartas", o livro!

“Carlos Lacerda/ Cartas”, o livro!

 

Adoro livros sobre história, mas sempre acostumei a tê-los em sua versão formal, com princípio e fim, e recheados com aquele enredo que seu título prenuncia. Por isso, estou encantada com “Carlos Lacerda/Cartas 1933-1976”, organizado por Claudio Mello e Souza e Eduardo Coelho e editado pela divina Bem-Te-Vi.

Separadas em seções como “Família”, “Amigos”, “Autores e Livros”, “Política”, as cartas são deliciosas de ler e super instrutivas. Para simplificar minha tarefa, pois lidar com gênio não é “bolinho”, resolvi lê-las aos bocados, isto é, salteando os assuntos: Assim, passo do afeto ao desafeto, mudo de interesse e de luta como quem muda de página e, brincando entre as suas, estou encantada pelo livro e toda a atmosfera que marcou a vida do grande político Carlos Lacerda.

Principalmente para nós, que éramos muito jovens para os assuntos políticos ou nem nascidos quando sua estrela brilhava, “Cartas” é uma lição de história do Brasil do século XX e seu conteúdo vai além da versão oficial. Noves fora a maravilhosa maneira de escrever de Lacerda, famoso pela retórica e igualmente craque nas mal traçadas: Dá vontade de decorar trechos pra um dia usá-los, quando quisermos abafar. Como, por exemplo, a maneira que introduz uma delas, para o saudoso médico Marcelo Garcia: “De volta do nordeste, (…) encontro em casa a sua carta, tão generosa, tão nobre, tão Marcelo”.

 

Famoso pelo brilho e veemência na oratória, em algumas cartas lacerda não foge ao estilo: Amei, por exemplo, o "pito" que ele dá no igualmente grande, Burle Marx...

Famoso pelo brilho e veemência na oratória, em algumas cartas Lacerda não foge ao estilo: Amei, por exemplo, o “pito” que ele dá no igualmente grande Burle Marx…

 

Só para entrarem no clima, fiz uma pequena seleção das encantadoras despedidas das cartas de Carlos para “Minha Gatinha”, no caso Letícia Abruzzini Lacerda, sua mulher e amor: a-do-ro os “últimos românticos”:

– “Um beijo. Dois. Mil. Uma saudade sem fim. Carlos.”
– “Toda a saudade. Carlos.”
-“Um beijo. Quantos! E a saudade enorme!”
-“Suas cartas são (…): acalmam a angústia de esperar o fim e dão a certeza de que o fim se aproxima. O fim, quer dizer, o começo. Outros beijos, Carlos”.
-“Domingo vou andar pelos nossos lugares e dizer a eles que você é uma ingrata… Vês? Virei Casimiro de Abreu e a culpa é tua!”

Por estas e muitas outras é que “Cartas” merece lugar de honra em nossa estante! BN

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