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Livros… Tem presente mais “viajante”?!

 

Pras nossas adoradas mães, principalmente em seu dia, queremos sempre a grande homenagem: uma jóia preciosa, a bolsa mais linda, o bouquet do Jeff Leathan… Mas este ano, resolvi fugir para mais longe, ao procurar um presente que enchesse os olhos e alma da minha diva. E foi uma alegria encontrar esta série de livros que conto abaixo pois preencheu os requisitos de minha exigência, com toda maestria.

Idealizada por Lélia Coelho Frota e dedicada a escritores brasileiros desaparecidos, a coleção “Arquivinho” é das mais bem concebidas em seu gênero, façanha da editora carioca Bem-Te-Vi. Traçando de maneira original e eficiente o retrato de quatro grandes artistas brasileiros, ela reuniu numa espécie de perfil informal, biografia, textos, documentos, depoimentos, fotos, DVDS, iconografia ou qualquer outra informação que ilustrasse a vida e personalidade do homenageado, tendo como grande mérito aproximar o leitor de seu ídolo, ao simplificar o acesso à sua obra. Em formato de caixa ou pasta, são quatro os ilustres “biografados”:

 

A

“Arquivinho” Vinicius de Moraes!

 

1- Vinícius de Moraes:
Sua pasta possui 18 ítens que vão de um caderno com poemas praticamente inéditos, da sua mocidade, CD de Miúcha cantando Vinícius, é claro, fotos, biografia e até um soneto manuscrito por Pablo Neruda, dedicado ao pontinha.

 

"Arquivinho" Helio Pellegrino!

“Arquivinho” Helio Pellegrino!

 

2- Helio Pellegrino:
Além de fac-símiles relativos à sua obra, sua caixa comporta 15 ítens com preciosidades como uma cronologia de sua vida feita pela neta Antonia, biografia por Paulo Roberto Pires, 8 poemas extraídos do “O Livro da Amiga”, que fez em homenagem à mulher Maria Urbana Guimarães, além da reprodução de uma pintura dela pelo grande Guignard.

 

Arquivinho Otto Lara Resende!

Arquivinho Otto Lara Resende!

 

3- Otto Lara Resende:
O talentoso mineiro mereceu caixa com 12 ítens que vão de textos seus sobre amigos, escritores, jornalistas à uma carta de 6 páginas,manuscritas, para Vinicius, passando por um espetacular DVD gravado com arquivos do Cedoc da TV Globo, onde Otto Lara entrevista as mais variadas personalidades.

 

Arquivinho Nelson Rodrigues.

Arquivinho Nelson Rodrigues.

 

4- Nelson Rodrigues:
O grande dramaturgo foi o último editado pela série, com pasta de 12 ítens coordenada por Cláudio Mello e Souza (focando especialmente a parte dramática da obra do “multifacetado” autor), sendo 11 deles peças gráficas, que incluem textos sobre o autor de Bárbara Heliodora, Arnaldo Jabor, Armando Nogueira, depoimento de Fernanda Montenegro sobre Nelson e DVD com depoimentos dele sobre vários assuntos.

O único problema foi que nem recorrendo ao “uni duni tê” consegui escolher… Assim minha mãe vai se esbaldar por um bom tempo! BN

 

 

 

Pérola achada em minhas andanças nas manhãs de sábado...

Pérola achada em minhas andanças nas manhãs de sábado…

 

Hoje é sábado, dia de bater perna nas livrarias da redondeza e achar preciosidades, como a que conto a seguir…

 

ESte é Antonio Gilberto Rocha, geólogo primoroso e grande escritor, que nos deu este livro primoroso!

Este é Antonio Gilberto Rocha, geólogo competentíssimo e grande escritor, que nos deu este livro primoroso!

 

Até conhecer o maravilhoso livro “Rochas e Histórias do Patrimônio Cultural do Brasil e de Minas”, nunca tinha passado pela minha cabeça a importância das pedras que cruzam nossos caminhos todos os dias e estão por aqui, desde que os portugueses desembarcaram em nosso Eldorado.

 

Uma das "rochas" que compõe nosso patrimônio histórico e o tema deste livro... Esta em forma de anjos!

Uma das “rochas” que compõe nosso patrimônio histórico e o tema deste livro… Esta em forma de anjos!

 

Obra do geólogo e escritor premiado, Antonio Gilberto Costa, e editado pela maravilhosa Bem-Te-Vi, o livro reúne um trabalho inédito sobre rochas e convida-nos à reflexão sobre a ação do homem na natureza: Tema mais que atual e ao menos tempo inédito pois como tão bem explica o autor, “Pouco destaque é dado às rochas, quando o assunto é patrimônio cultural”.

 

Igreja Nossa Sra do Carmo em João Pessoa

Igreja Nossa Sra do Carmo em João Pessoa, PB.

 

As pedras, no caso, são o quartzito e pedra sabão, que foram usadas para compor a arquitetura histórica do Brasil na construção de igrejas, pontes, calçadas, objetos de arte, utensílios, etc durante o período do Brasil colônia continuando pela época imperial.

 

Ponte dos Jesuítas, em Santa Cruz, RJ

Ponte dos Jesuítas, em Santa Cruz, RJ

 

Num relato super bem ilustrado por histórias e fotos maravilhosas, Costa conta-nos tudinho sobre seu tema, “rock stars”: Como foram extraídas, a tecnologia de corte e construção utilizadas, mão de obra empregada, etc, que resulta num estudo acessível e completíssimo da história das rochas que compõem os bens móveis e imóveis Brasil afora.

 

Bebedouro de Tiradentes.

Bebedouro de Tiradentes, MG

 

Seu estudo também tem o mérito de falar do passado iluminando o futuro, já que revela os efeitos danosos na preservação de nosso patrimônio, quando as intervenções são excecutadas sem o devido conhecimento técnico.

 

Fachada da Sé da Ordem Terceira de São Francisco, em Salvador, BA

Fachada da Sé da Ordem Terceira de São Francisco, em Salvador, BA

 

Integrando conhecimentos diversos como geologia, história, arquitetura, belas-artes e engenharia, o livro resulta numa referência obrigatória para todos os que se interessam pela memória artística brasileira.

 

Os ícones da escultura barroca brasileira: Profetas, do Mestre Aleijadinho

Os ícones da escultura barroca brasileira: Profetas, do Mestre Aleijadinho

 

“Todos os saberes estão ligados sob perspectiva interdisciplinar ao promover o diálogo entre eles. Assim, conseguimos compreender melhor nosso patrimônio cultural”, explica Antonio.

Destaque mor na minha biblioteca! BN

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"Carlos Lacerda/ Cartas", o livro!

“Carlos Lacerda/ Cartas”, o livro!

 

Adoro livros sobre história, mas sempre acostumei a tê-los em sua versão formal, com princípio e fim, e recheados com aquele enredo que seu título prenuncia. Por isso, estou encantada com “Carlos Lacerda/Cartas 1933-1976”, organizado por Claudio Mello e Souza e Eduardo Coelho e editado pela divina Bem-Te-Vi.

Separadas em seções como “Família”, “Amigos”, “Autores e Livros”, “Política”, as cartas são deliciosas de ler e super instrutivas. Para simplificar minha tarefa, pois lidar com gênio não é “bolinho”, resolvi lê-las aos bocados, isto é, salteando os assuntos: Assim, passo do afeto ao desafeto, mudo de interesse e de luta como quem muda de página e, brincando entre as suas, estou encantada pelo livro e toda a atmosfera que marcou a vida do grande político Carlos Lacerda.

Principalmente para nós, que éramos muito jovens para os assuntos políticos ou nem nascidos quando sua estrela brilhava, “Cartas” é uma lição de história do Brasil do século XX e seu conteúdo vai além da versão oficial. Noves fora a maravilhosa maneira de escrever de Lacerda, famoso pela retórica e igualmente craque nas mal traçadas: Dá vontade de decorar trechos pra um dia usá-los, quando quisermos abafar. Como, por exemplo, a maneira que introduz uma delas, para o saudoso médico Marcelo Garcia: “De volta do nordeste, (…) encontro em casa a sua carta, tão generosa, tão nobre, tão Marcelo”.

 

Famoso pelo brilho e veemência na oratória, em algumas cartas lacerda não foge ao estilo: Amei, por exemplo, o "pito" que ele dá no igualmente grande, Burle Marx...

Famoso pelo brilho e veemência na oratória, em algumas cartas Lacerda não foge ao estilo: Amei, por exemplo, o “pito” que ele dá no igualmente grande Burle Marx…

 

Só para entrarem no clima, fiz uma pequena seleção das encantadoras despedidas das cartas de Carlos para “Minha Gatinha”, no caso Letícia Abruzzini Lacerda, sua mulher e amor: a-do-ro os “últimos românticos”:

– “Um beijo. Dois. Mil. Uma saudade sem fim. Carlos.”
– “Toda a saudade. Carlos.”
-“Um beijo. Quantos! E a saudade enorme!”
-“Suas cartas são (…): acalmam a angústia de esperar o fim e dão a certeza de que o fim se aproxima. O fim, quer dizer, o começo. Outros beijos, Carlos”.
-“Domingo vou andar pelos nossos lugares e dizer a eles que você é uma ingrata… Vês? Virei Casimiro de Abreu e a culpa é tua!”

Por estas e muitas outras é que “Cartas” merece lugar de honra em nossa estante! BN

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Cartão de embarque para horas de puro prazer: "Os Banquetes do Imperador" é um livro imperdível!

Cartão de embarque para horas de puro prazer: “Os Banquetes do Imperador” é um livro imperdível!

 

Esta dica eu vi no Instagram do chiquérrimo Ricardo Stambowsky, grande cerimonialista que entende, como poucos, do riscado que bordo a seguir.

 

Dom Pedro II colecionou muitos dos cardápios de

Dom Pedro II colecionou muitos dos cardápios de banquetes cerimoniais de Estado, como chamava as recepções a que comparecia.

 

Trata-se do livro “Os Banquetes Do Imperador”, de Francisco Lellis e André Boccato, Editora Senac. No caso, o imperador é Dom Pedro II, que colecionou 1050 cardápios ao longo da vida, seguindo um hábito elegante e muito útil do século XIX.

 

Eis a foto do mais antigo cardápio do Brasil, de 1 de agosto de 1858: Punham em destaque o número de participantes do jantar (Cent vingt couverts)

Eis a foto do mais antigo cardápio do Brasil, de 1 de agosto de 1858: Amei o destaque para o número de participantes do jantar (Cent vingt couverts)

 

Me refiro ao “colecionismo”, mania mundial daquela época, que ocasionou coleções divinas capazes de preservar a história, algumas com objetos que eram verdadeiros exemplos culturais e que, quando em mãos reais, viraram até acervo de Museus Nacionais, fundados pelos monarcas de então. Assim, muito do cotidiano foi conservado e nos instrui e diverte ainda hoje, como estes menus que fazem parte da “Collecção D. Thereza Christina Maria” da Biblioteca Nacional do Rio de Janeiro, pois foram deixados de herança para a imperatriz e por ela doados ao “Museu Biblioteca”.

 

Entre muitas pérolas, o livro conta também sobre receitas da época!

Entre muitas pérolas, o livro conta também sobre receitas da época como esta “sopa camponesa”.

 

Dom Pedro II foi um homem extremamente curioso, cultivado e participativo: Foi o primeiro brasileiro a ter máquina fotográfica (suas fotos são famosas) e telefone, que instalou no Palácio de São Cristóvão para comunicar-se com seus ministros. Juntando o hábito de colecionar ao espírito aventureiro que o levou mundo afora, o imperador teve a simpática idéia de juntar cardápios dos “banquetes cerimoniais de Estado”, maneira como chamava os “eventos” gastronômicos a que comparecia.

 

Este cardápio é de um jantar dado pelo Príncipe de Gales, em Marlborough House em 1887: O francês como a língua oficial das grandes mesas.

Este cardápio é de um jantar dado pelo Príncipe de Gales, em Marlborough House, para Dom Pedro II, em 1887: O francês como a língua oficial das grandes mesas.

 

Este livro delicioso é fruto, como mencionei acima, de ação corriqueira que o tempo transformou em documento histórico e trata de 130 dos 780 cardápios que restaram à coleção (297 foram “sumiram”, pode?!) e foram selecionados por suas belezas gráficas, registros de viagens e importância dos pratos mencionados.

 

Menu do navio Congo que era um "Paquebot": Inicialmente eram mbarcação que fazia serviços postais e de passageiros e no século XVIII passou a ser navios regulares de passageiros!

Menu de um almoço no navio Congo que era um “Paquebot”, ou melhor, inicialmente embarcação que faziam serviços postais e de passageiros mas que,  no século XVIII, passou a ser navios regulares de passageiros!

 

Dividido em três partes, “Introdução”, “A Coleção de Cardápios” (subdividida em menus de navio, exterior e no Brasil) e “Historiografia da Gastronomia Brasileira do Século XIX”, “Banquete” conduz seu leitor à uma viagem gastronômica única, brindando os embarcados com imagens lindas, histórias pitorescas, informações úteis outras nem tanto, mas todas imperdíveis.

 

Uma pérola: Foto da capa e introdução menu do famoso "Baile da Ilha Fiscal", no dia : Véspera da proclamação da república!

Uma pérola: Capa e introdução do menu do famoso “Baile da Ilha Fiscal”, em 9 de novembro de 1889 : Um dos estopins da proclamação da república!

 

Corram atrás pois o livro é divertimento puro e merece lugar de honra em nossa estante! BN

 

Fecho com a receita de nossa eterna "Feiloada", versão século XIX!

Fecho com a receita de nossa eterna “Feijoada”, versão século XIX!

 

 

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